terça-feira, 31 de janeiro de 2017

CRÓNICA SEMANAL


A TRADIÇÃO
NO CANTAR ÀS ESTRELAS
Há dias, entramos no novo ano anunciado de, Reconciliação, entre as criaturas, em que os olhos humanos voltam-se para esta perspectiva de vida comunitária e social, não ficando diferenciada de alguma diversão de eventos programados, e em que os amigos renovam os seus planos de encontro, seja quais forem as naturezas dos mesmos.
O primeiro mês do ano corrente, está a findar, e seguindo o calendário religioso litúrgico, o tempo de Natal nas comunidades cristãs e outras, terminará com a festa da luz, dia dedicado à apresentação de Jesus no templo, ao velho Semião, segundo conta a história, e a profecia de Isaías.
No pós II Concílio do Vaticano, passou este dia, a ser dedicado aos consagrados. Os consagrados não só são os padres e religiosos/as, mas também todos os solteiros e casados, que por opção, também se sagraram em compromissos assumidos e de variados objectivos, garantindo com um afirmativo “Sim”, e daí as responsabilidades de cada um, de renovar este mesmo sinal de cumprir a aliança firmada junto de muitos amigos que nos dias de festas e de casamento testemunharam.
Em sequência disso, a Igreja considerou a data 2 de Fevereiro, como dia santo,”dia especial e de festa na Diocese de Bissau-Guiné”, mas que, por razões sociológicas, económicas, sociais e religiosas transitou esta festividade para o domingo seguinte, que no decorrer deste ano comum de 2017, cairá no domingo, dia 5 de Fevereiro, onde este evento litúrgico se enquadra por tradição.
Esta festividade tem larga tradição não só no campo da acção litúrgica, mas também na forte expressão popular envolvendo as populações a aderirem aos eventos da luz celebrando, e louvando cantando à Senhora das Estrelas, das Candeias, da Luz e da Candelária.
No acto e evento sócio religioso popular, as emoções são tantas, que são organizados cortejos, representados pelas freguesias e concelhos, que vestidos com trajes apropriados com lanternas acesas, chapéus e agasalhos próprios envergam, percorrendo as ruas com seus tangedores de instrumentos de cordas, de sopro, acordeões, tambores, etc, para junto dos municípios, descarregarem em seus cantares as quadras populares criadas em formato de sátiras críticas, políticas e sociais de variada ordem, recorrendo sempre num despedir, invocando à edilidade, o pedido de melhoria ao que foi exprimido.
Na véspera, o cantar às estrelas inicia-se pelas 19.30h da noite do dia 1 para 2 de Fevereiro, onde no final desta tradição, pelas 00.00horas da matina, e em lugar certo, é feita a previsão meteorológica do tempo através das estrelas.
Neste evento do cantar às estrelas, as pessoas e os grupos, confraternizam não só ao longo dos percursos traçados e por ordem, mas também divertem-se parados às portas dos amigos, onde cantam as suas sátiras quadras, recebendo destes, um cabaz de comes e bebes, que no final, todos em conjunto se divertem.
Este evento, é acompanhado desde o primeiro momento pelos meios de comunicação social, nomeadamente, Rádio, Televisão, e imprensa local, em que são relatados testemunhos de tempos e costumes tradicionais.
A TV aproveita também este momento oportuno para ainda mostrar os presépios que ainda estão armados, porque a finalização dos festejos natalícios, têm o terminus com as Estrelas. Este evento é próprio dos Açores, nomeadamente na ilha de S. Miguel.
 Ponta Delgada, 23 Janeiro de 2017

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